Como o design com foco na equidade amplia acessos, melhora experiências e tem o poder de impulsionar sua marca

Ao pensar em design, muita gente ainda associa o termo às cores, formas e estética de uma interface ou produto. Mas e se a experiência de um usuário fosse prejudicada simplesmente porque ele não consegue clicar em um botão, ouvir um áudio ou compreender um texto?

É exatamente a partir desse ponto que nasce o design inclusivo. Ele propõe criar experiências pensadas desde o início para incluir o maior número possível de pessoas com diferentes capacidades, contextos e necessidades. E isso não é benefício exclusivo de uma minoria: quando você pensa em inclusão desde o início, melhora a experiência de todos.

O que é design inclusivo?

Design inclusivo é a abordagem que reconhece que todos os usuários têm formas diferentes de interagir com produtos e serviços. Ele considera desde deficiências permanentes (como cegueira), temporárias (como um braço quebrado) ou situacionais (como segurar um bebê com uma mão).

Close-up de uma mãe segurando um bebê enquanto fala ao telefone. / Fonte: Envato

Em vez de adaptar algo que já está pronto, o design inclusivo propõe que o projeto já comece com a inclusão em mente. Assim, todas as pessoas conseguem acessar e utilizar o produto com autonomia, desde o primeiro instante.

Esse conceito se baseia em princípios como:

  • Reconhecer a exclusão
  • Resolver para um, estender para muitos
  • Aprender com a diversidade

Esses pilares vêm sendo disseminados por instituições como o Inclusive Design Research Centre (OCAD University) e o Inclusive Design Toolkit da Universidade de Cambridge.

Design inclusivo é diferente de acessibilidade?

Sim. Enquanto a acessibilidade costuma ser pensada como uma “adaptação” para atender um grupo específico, o design inclusivo é mais amplo porque considera a diversidade desde o início do projeto. A acessibilidade é uma parte fundamental da inclusão, mas não abrange tudo.

Crianças estudando por meio de aulas online. / Fonte: Freepik

Um exemplo simples: enquanto a acessibilidade busca criar legendas para um vídeo, o design inclusivo pensa em como esse vídeo pode ser compreendido mesmo sem som, utilizando recursos visuais e narrativos que funcionem para diferentes perfis de usuários.

Ao tornar o design mais inclusivo, seja em um site, uma embalagem ou um ambiente, você melhora a usabilidade geral. Isso beneficia também quem não tem uma deficiência declarada, mas pode estar em situações variadas, como usar o celular com uma mão só ou ler um manual em um ambiente com pouc

Por que o design inclusivo é importante para marcas, produtos e espaços

Criar para todos é uma estratégia de valor que traz benefícios concretos em diferentes contextos. Veja:

  • Mais usuários alcançados: você expande sua base ao incluir quem costuma ser ignorado
  • Melhora a experiência de uso: quando o design é pensado para ser claro e intuitivo, ele facilita a navegação e o entendimento para todos os usuários
  • Contribui para a reputação da marca: mostra compromisso com diversidade e responsabilidade social

Com legislações mais exigentes e consumidores cada vez mais atentos à responsabilidade das empresas, o design inclusivo deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito para marcas que desejam se manter relevantes no mercado.

Garota em cadeira de rodas mexendo em um tablet. / Fonte: freepik

Como aplicar o design inclusivo na prática

Design inclusivo vale para o físico e o digital. Por isso, a aplicação na prática deve considerar diferentes formatos, canais e contextos. A seguir, listamos boas práticas que ajudam a tornar produtos, serviços e espaços mais acessíveis e funcionais para todos:

1. Contraste e legibilidade
Use combinações de cores que ofereçam contraste suficiente, tanto em telas quanto em materiais impressos, sinalizações ou etiquetas. Tipografias devem ser legíveis, com tamanho adequado e espaçamento suficiente para facilitar a leitura. Garanta que textos possam ser ampliados sem perda de funcionalidade.

2. Acesso por diferentes formas de navegação
Tanto no meio digital quanto no físico, é importante garantir acesso para quem não usa o meio padrão. Sites e apps devem ser acessíveis via teclado. No físico, pense em espaços amplos para cadeiras de rodas, botoeiras acessíveis e caminhos bem sinalizados.

3. Destaque visual e espaço suficiente
No digital, o foco de interação precisa ser visível durante a navegação. No físico, o espaçamento entre elementos deve permitir circulação, acesso e conforto para todos, inclusive para quem usa dispositivos de mobilidade.

4. Descrição de elementos visuais
Usar alt-text no âmbito digital é crucial para imagens relevantes. Em ambientes físicos ou produtos, pense em recursos como braile, etiquetas em alto-relevo ou cores bem identificadas para apoiar quem tem deficiência visual.

5. Informação acessível para diferentes sentidos
Legendas e transcrições em conteúdo audiovisual facilitam a experiência de pessoas surdas ou com dificuldades auditivas. Em ambientes físicos, pense em sinalização visual e sonora, bem como em materiais informativos em diferentes formatos.

6. Linguagem simples e direta
Use textos claros, objetivos e de fácil compreensão. Isso vale tanto para aplicativos quanto para manuais, rótulos de produtos ou placas informativas. A comunicação acessível beneficia todos os usuários.

7. Testes com perfis variados de usuários
Seja no desenvolvimento de um app, seja no layout de uma loja, envolver usuários com diferentes capacidades é essencial. Testes com pessoas reais revelam barreiras e oportunidades que não surgem em simulações técnicas.

Exemplos de marcas que estão fazendo certo

Microsoft
Criou o Adaptive Controller para Xbox, um controle pensado para pessoas com mobilidade reduzida. O projeto envolveu parcerias com instituições especializadas, testagem com usuários reais e ajustes baseados na experiência prática. Além do produto em si, a embalagem foi projetada para ser facilmente aberta, sem exigir força ou coordenação motora fina.

Adaptive Controler XBox / Fonte: Reprodução

Apple
Oferece soluções inclusivas tanto no digital quanto no físico: seus sistemas operacionais trazem ajustes nativos como controle por voz, narração e alto contraste, e seus espaços físicos são pensados com acessibilidade desde o projeto. Isso inclui sinalização visual clara nas lojas, mesas em altura acessível, e embalagens com design simples e letras legíveis.

Menu de acessibilidade de um celular Apple. / Fonte: Reprodução

E o que tudo isso muda na forma de pensar o design?

Design inclusivo é sobre investir em um design mais inteligente, empático e eficiente. Quem adota essa mentalidade desde o início entrega experiências melhores, se conecta de forma mais genuína e ganha relevância em um mercado que valoriza diversidade e responsabilidade.